Introdução
A equinocultura, ou a criação de cavalos, é uma atividade que vai muito além da paixão por esses animais. No Brasil, este setor movimenta bilhões de reais anualmente e emprega milhões de pessoas, consolidando-se como um segmento de grande potencial no agronegócio. Seja para lazer, trabalho ou competição, a criação de cavalos exige planejamento, conhecimento e dedicação. Este artigo visa fornecer um guia abrangente para aqueles que desejam ingressar neste mercado promissor, abordando desde os primeiros passos até as estratégias para o sucesso.
O Potencial Econômico da Equinocultura no Brasil
O Brasil se destaca como o quarto país com o maior rebanho equino do mundo, com aproximadamente 5,5 milhões de animais [1]. Este impressionante número reflete a força e a relevância da equinocultura na economia nacional. De acordo com estudos, o mercado de cavalos movimenta mais de R$ 30 bilhões no país, gerando mais de três milhões de empregos diretos e indiretos [1].
O sucesso financeiro na criação de cavalos não se limita apenas à venda dos animais. A cadeia produtiva da equinocultura é vasta e engloba diversos segmentos, como a fabricação de rações e fenos, a indústria farmacêutica veterinária, a produção de selarias e equipamentos, e a oferta de serviços veterinários especializados. Eventos, exposições e leilões também contribuem significativamente para a movimentação econômica do setor, atraindo investidores e entusiastas de todo o país [1].
Primeiros Passos: Definindo a Finalidade da Criação
Antes de iniciar qualquer investimento, é fundamental definir a finalidade da sua criação de cavalos. Essa decisão influenciará diretamente a escolha da raça, o tipo de manejo e a infraestrutura necessária. As principais finalidades incluem:
•Passeio e Lazer: Cavalos para cavalgadas, equoterapia e uso recreativo.
•Trabalho: Animais utilizados em fazendas para manejo de gado, transporte e outras atividades rurais.
•Esporte e Competição: Cavalos de alta performance para modalidades como salto, rédeas, vaquejada, três tambores, hipismo e corrida.
Escolha da Raça: Adaptabilidade e Mercado

Com a finalidade definida, a próxima etapa é a escolha da raça. O Brasil possui uma grande diversidade de raças de cavalos, cada uma com características específicas que as tornam mais adequadas para determinadas atividades. Algumas das raças mais comuns e suas particularidades incluem:
•Mangalarga Marchador: Líder no rebanho brasileiro, conhecido por sua marcha cômoda e versatilidade para trabalho, esporte e lazer [1].
•Quarto de Milha: Popular em esportes de velocidade e trabalho com gado, como vaquejada e três tambores.
•Puro Sangue Inglês (PSI): Predominantemente utilizado em corridas de cavalo devido à sua velocidade e resistência.
•Puro Sangue Lusitano (PSL): Famoso por sua beleza, inteligência e aptidão para adestramento e equitação clássica.
•Crioulo: Resistente e versátil, ideal para trabalho no campo e provas de rédeas.
•Campolina e Pampa: Raças brasileiras com boa aptidão para sela e cavalgadas.
É crucial pesquisar a demanda de mercado para a raça escolhida, garantindo que haja compradores para os animais produzidos. Além disso, considere a adaptabilidade da raça às condições climáticas e geográficas da sua propriedade.
Infraestrutura Essencial para a Criação de Cavalos
Uma infraestrutura bem planejada é vital para o bem-estar dos animais e a eficiência da operação. Os principais elementos a serem considerados são:
Área e Pastagem
A escolha da área é determinante. Cavalos preferem solos bem drenados, e terrenos muito acidentados ou pedregosos devem ser evitados para prevenir acidentes. A facilidade de acesso à propriedade também é importante para a logística de transporte de animais, medicamentos e rações [2].
A lotação de animais por hectare varia conforme o tipo de pastagem. Gramíneas de alto valor nutritivo, como Tifton ou Capim Vaquero, podem suportar até 3 animais adultos por hectare. Já em pastagens menos nutritivas, a recomendação é de 1 animal adulto por hectare [2]. É aconselhável dividir o pasto em piquetes para permitir o pastejo rotacionado, otimizando o uso do solo e a qualidade nutricional da forragem [2].
Baias e Instalações
As baias devem ser espaçosas, com dimensão média de 16m², e, se possível, com comunicação entre elas para maior segurança dos animais. Cochos e bebedouros devem ser de fácil limpeza e com bom escoamento de água. Além disso, é fundamental ter salas para armazenamento de ração, medicamentos e instrumentos de manejo, bem como um escritório para a gestão do negócio [2].
Alimentação e Manejo
A alimentação dos cavalos deve ser balanceada e adequada à raça, idade e nível de atividade. O pastejo é um hábito natural e benéfico para os equinos, podendo fornecer até 70% de suas necessidades nutricionais. Gramíneas como Aruanã, Mombaça, Tanzânia, Zuri, Tamani, Massai, Andropogon, Tifton 85, Coast Cross, Grama Bermuda, Grama Pensacola e Grama Batatais são indicadas. Leguminosas como alfafa, amendoim forrageiro, soja perene, Lablab e estilosantes podem complementar o aporte proteico [2].
O feno é um componente crucial, especialmente em períodos de seca ou para suplementar a dieta nas baias, funcionando também como isolante térmico [2].
Aspectos Financeiros e de Gestão
O planejamento financeiro é essencial para o sucesso da criação. Os custos iniciais podem variar significativamente dependendo do tamanho da operação, da raça escolhida e da infraestrutura necessária. Além do investimento fixo inicial, é preciso considerar os custos de manutenção mensal dos animais, que incluem alimentação, cuidados veterinários, ferrageamento e mão de obra.
Buscar assessoria técnica especializada é um diferencial. Zootecnistas, veterinários e consultores em agronegócio podem oferecer orientações valiosas sobre manejo, sanidade, nutrição e estratégias de mercado, contribuindo para a viabilidade e rentabilidade do empreendimento [2].
Conclusão
A criação de cavalos no Brasil é uma atividade com grande potencial de crescimento e lucratividade, impulsionada por um mercado robusto e uma cultura equestre consolidada. Com um planejamento cuidadoso, a escolha adequada da raça, a implementação de uma infraestrutura eficiente e um manejo de qualidade, é possível construir um negócio próspero e sustentável. A paixão pelos cavalos, aliada a uma gestão profissional, é a chave para o sucesso neste fascinante universo.
Referências
[1] Globo Rural. Criação de cavalos movimenta R$ 30 bilhões no Brasil. Disponível em: https://globorural.globo.com/feiras/noticia/2023/07/criacao-de-cavalos-movimenta-r-30-bilhoes-no-brasil.ghtml
[2] Galpão Centro-Oeste. Criação de cavalos, como começar? Disponível em: https://galpaocentrooeste.com.br/blog/criacao-cavalos-como-comecar
